O nome do nosso bebé
- Paula Freitas

- 2 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
Corria o ano de 2020 quando, convincentemente, revelamos, à família, estar à espera de um menino.
O nome, que há muito estava decidido, era comum.
Demasiado, até.
Aliás, não raras são as vezes em que encabeça a lista, anual, dos nomes mais colocados em bebés.
Ainda assim, encanta-me a sua sonoridade.
E desengane-se quem pensa haver história por detrás do nome.
Não há.
Nem história.
Nem pessoa.
Nem amor ou desamor.
É apenas gosto. Puro gosto.
E, à exceção do meu próprio pai, não tenho, curiosamente, mais ninguém, dentro do meu ‘núcleo’, com tal nome.
O pai da criança, que, nessa altura, partilhava comigo semelhante deleite, deu o seu aval e, assim, este bebé chamar-se-ia FRANCISCO.
No entanto, quis Deus que esse Francisco fosse, afinal, uma Camila.
Pois.
Um ‘imbróglio’, por certo.
Mas aqui explico melhor.
O tempo passou;
a vida aconteceu e, volvidos dois anos e meio, o menino, para o qual já tínhamos, então, um nome, chegou.
Acontece que, certo dia, o pai, ao chegar a casa, refere, peremptoriamente, não querer mais o nome de Francisco, avançando, convicto de que eu iria gostar tanto quanto ele, com outra sugestão de nome.
Escutei-o, atónita, uma e outra vez.
Mas não gostei, nem tampouco, concordei.
E, pesarosa, porquanto sonhara a minha vida, de até então, com o nome de Francisco, prossegui.
Agora, o meu bebé não tinha mais nome, já que eu não equacionara nenhum outro.
♡
Adiante, o tempo volveu e, com a gravidez a findar, venci-o pelo cansaço.
“Vamos lá colocar-lhe Francisco.”
Contudo, o meu sentimento era ambivalente:
se por um lado estava feliz por ter, finalmente, a sua aprovação;
por outro, entristecera-me saber que tal escolha não fora unânime, mas, antes, o resultado da minha insistência.
E, por conseguinte, recuei.
O nome de Camila fora, também ele, uma escolha minha, como explano aqui e, como tal, não considerei justo fazer-me prevalecer novamente.
Propusemos, então, ir a sorteio.
No entanto, rapidamente abandonei a ideia ante a possibilidade de lhe ser colocado o nome que o pai ambicionara.
Preferi abdicar de Francisco, do que correr o risco de ver o 'outro' sorteado.
Ademais, ele questionara-me sobre uma eventual junção dos dois nomes!
Mas, se por um detinha tamanha animosidade, os dois juntos então, extinguiam o meu gosto pelo nome, isolado, de Francisco.
Logo tivemos de repensar num nome que reunisse maior consenso entre os dois.
A decisão foi morosa, mas lá chegamos a SANTIAGO.
♡
Igualmente comum e com uma popularidade cada vez mais crescente, reconheço-lhe a beleza, mesmo que nunca o tivesse cogitado como nome de um filho meu.
Contudo, a par da delicadeza que brota da sua sonoridade, foi o significado que o nome enceta, que me persuadiu a escolhê-lo.
Nunca baseara, até então, as minhas escolhas a partir desse pormenor, mas, desta vez, senti necessidade de me “agarrar" a alguma coisa.
O pai gostou de igual forma.
♡
Hoje, enquanto contemplo o meu bebé para o saber de cor, dou por mim a questionar se ele tem mais “cara” de Santiago do que Francisco.
Quero acreditar que sim, mas, a verdade é que, volvidos dois meses, ainda obtive resposta.
E por aí, há fãs de Franciscos e Santiagos?
♡





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