"It's a boy"...só que não!
- Paula Freitas

- 3 de set. de 2020
- 4 min de leitura

Depois do positivo, o momento mais aguardado era sem dúvida o do Chá de Revelação. Menino ou menina? A minha intuição [alicerçada ao desejo] dizia-me que era menino.
Criado nos Estados Unidos, o Chá de Revelação tem como objetivo desvendar, de forma divertida, e junto de familiares e amigos, o sexo do bebé. Como tal, é suposto que ninguém até à data (incluindo os pais) saiba qual é o sexo (excetuando quem organiza o Chá).

No nosso caso, e por circunstâncias profissionais, o pai soube, antemão, que tipo de ‘'sementinha'’ crescia em mim [mas quis o destino equivocá-lo a ele também, ah ah ah!]. Confuso?
Passo a explicar.
O dia começou bem cedo [tamanha era a empolgação que habitava em mim!]. Ainda o sol, timidamente, começava a brilhar, quando resolvemos armarmo-nos em decoradores.
Portugal encontrava-se no início do desconfinamento, mas a atmosfera ainda era de medo e insegurança, motivo pelo qual optámos por ser nós a realizar a – singela – decoração do Chá.

O momento não foi o que outrora sonhei, é certo: faltou-me o calor dos abraços.
No entanto, foi o que o Universo me pôde oferecer e, por isso, permaneço grata.



Sobre a revelação do sexo, o pai, com uma imaginação fértil e inata, decidiu selecionar três formas para a fazer, sendo que apenas a última corresponderia à verdadeira.
A primeira foi através de uma pinhata que ao ser partida [após 158709083003 pancadas] revelou o seu interior: confettis azuis, equivalendo, portanto, a menino.


Vale destacar que nem os convidados saíram ilesos das partidas do pai ou não os tivesse ele, à minha revelia, informado de que, visando pregar-me uma peta, tinha trocado a cor dos confettis de todos os itens. Ou seja, quando saísse azul eu constataria que se tratava de um menino mas os convidados, por sua vez, deveriam assumir o contrário, isto é, que se tratava de uma menina [concluindo = confusão semeada, e muitos foram para casa céticos relativamente ao verdadeiro sexo do bebé).
Posteriormente, seguiu-se o clássico balão de revelação [igualmente difícil de rebentar, diga-se!]. Resultado: azul, again!


Por último, o bolo, cuja cor do recheio revelaria, finalmente, o sexo verdadeiro do bebé.
Só que não: parte 1!
Aquando o corte, o entusiasmo do pai rapidamente se desvaneceu: os pasteleiros tinham-se esquecido do pormenor mais importante: o recheio não se fazia representar pela cor correspondente ao sexo do bebé!

E seguiram-se as gargalhadas [pese embora eu não tivesse a certeza do que mais me apetecia: se rir ou chorar].

“Pronto: é menino!”
disse o pai a altos pulmões.
[Quem diria que depois de três graciosas formas para desvendar o sexo, o mesma seria revelado.....oralmente!]
A minha intuição estava então certa: o nosso mundo seria azul.
Só que não: parte 2!
Os dias posteriores, foram instantaneamente ocupados a contemplar tudo o que correspondia a menino: desde a roupinha à escolha do nome.
Entretanto, começavam a chegar os primeiros presentes de familiares e amigos.
Certo dia, ao constatar que já possuía algumas coisas de menino, pensei:
“Nossa, e se afinal for menina?
[Vá-se lá compreender tal devaneio se, intuitivamente, eu sempre achara que era efetivamente um menino].
Mas tal pensamento aglutinou-se no meu dia-a-dia.
E, por capricho ou não, só descansei quando ''abri os cordões à bolsa'' e realizei uma sexagem fetal.
Se podia ter esperado pela segunda ecografia? Podia. Mas: precipitada uma vez, precipitada sempre.
A sexagem fetal é um procedimento simples que apenas implica uma pequena amostra sanguínea da grávida, pelo que não existem riscos associados, nem para a mãe nem para o bebé. Pode ser realizada a partir da 8ª semana de gravidez, momento em que a fiabilidade do teste ronda os 99%.
Resumidamente, o resultado tem como base o facto de o sexo masculino ser definido pela existência de um cromossoma X e de um cromossoma Y. Por seu turno, o sexo feminino define-se pela existência de dois cromossomas XX. O cromossoma Y é, portanto, exclusivo dos meninos. Assim sendo, se a análise identificar material genético do cromossoma Y, estaremos diante de uma gestação do sexo masculino. Inversamente (diante da ausência do cromossoma Y), a gestação em curso é do sexo feminino.
Confesso que independentemente da minha insistência em determinar concretamente o sexo do bebé, estava convencida de que se tratava de um menino [afinal de contas, intuição de mãe é irrefutável!].
O mesmo acontecia com as pessoas raios-de-sol da minha vida que, perentoriamente, afirmavam “claro que é menino, não penses mais nisso...”.
Só que o dia 19 de junho veio refutar tal afirmação:
Não foram detetadas sequências do cromossoma Y.
A ausência de sequências do cromossoma Y indica com elevada probabilidade uma gestação do sexo feminino (MENINA).
É.
Li, pelo menos, umas cinco vezes, não estivesse o meu cérebro desligado.
[“Menina? Mas eu tinha a certeza que era menino. Até já lhe chamava pelo nome, ora bolas!”]
Por ter estado envolvida na ideia de ser um menino, primeiro desmoralizei. Depois, sorrateiramente, alegrei: afinal de contas ia ter uma princesinha. O nosso mundo seria na verdade cor-de-rosa onde, para mim, tudo parece ter mais encanto e beleza.
E o certo é que volvidos dois dias ''mergulhei'' na magia dos vestinhos, dos lacinhos, das fitinhas, e constatei como é tão fácil encantarmo-nos pelo mundo cor-de-rosa [e ‘'perdermos a cabeça'’ também!!!]
🎀
Independentemente de tudo, o importante é que venha a respirar saúde.





Paulinha,
O que eu me ri com este post!!!
Bem nunca vi um chá de Bebé tão atribulado 😂 mas a acabar tão bem!!!
A Princesa Camila!!! Lindo ❤️🌈
Beijinho,
Luisa Anjos