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Bali: roteiro de 10 dias

  • Foto do escritor: Paula Freitas
    Paula Freitas
  • 10 de out. de 2021
  • 8 min de leitura

Bali.

Um lugar místico cuja beleza é, de facto, a rodos: paisagens magnânimas, rostos exóticos, atmosfera sadia e perfumada. Sim, Bali tem cheiro. E como ele é agradável! Bali exala serenidade. Sem ostentação, superfluidade ou vaidade, a vida parece mais fácil e tudo jaz em subtil equilíbrio. Bali hierarquiza-nos as prioridades da vida. Bali é especial. Ubud é especial.


E é através do presente artigo, onde abordo o nosso roteiro de 10 dias, que intuito transmitir tal facto.


Dia 1 – De Lisboa a Bali


O nosso voo estava agendado para o período da tarde mas, ainda assim, resolvemos viajar para Lisboa no dia anterior e pernoitar em casa de uns familiares.

Formalidades de embarque concluídas, eram 14h15 quando as portas do avião, comandado pela Emirates, encerraram e nós, passageiros, subimos, literalmente, aos céus.

O voo durou 16 horas mas não sem antes fazermos escala via Dubai.

Uma vez que não detínhamos visto para visitar a cidade, acabamos por dormitar pelas cadeiras reclináveis que preenchem os corredores do – interminável – Aeroporto Internacional do Dubai.

Ademais, o tempo era escasso para qualquer visita já que, para além de termos aterrado pela madrugada, só viríamos a permanecer por lá umas míseras 7 horas.




Dia 2 - Bali - Ubud


Por volta da 1h30 da madrugada balinesa (são mais 7 horas relativamente ao fuso horário de Lisboa), chegamos ao aeroporto de Denpasar. Sorridente e evidenciando um cartaz com os nossos nomes, de entre os inúmeros representantes das agências de viagem que aguardavam os seus respetivos turistas, encontrava-se o Mário, o nosso guia-turístico.

Confesso que, inicialmente, fiquei um pouco apreensiva. Afinal de contas, para além de me encontrar a 16 horas de distância do meu “habitat natural”, estava prestes a entrar no carro de um desconhecido em plena madrugada...

As estradas estavam desertas.

A luz elétrica era parca e os aguaceiros dispersos que se faziam sentir, tornavam a visibilidade ainda mais diminuta.

O motorista, a par do Mário, iniciara a condução sem a colocação do cinto de segurança. E assim permanecera.

[Hábito usual e disseminado entre a grande maioria dos condutores balineses - viria eu a constatar mais tarde!].


Disse que as estradas se encontravam desertas? De humanos, retifico então. Porque extensas matilhas, visivelmente esfomeadas e desnutridas, percorriam os vários quilómetros de estrada, muitas delas de terra batida, que nos levava até ao hotel.


“Nenhum tem dono. Eles são de todos nós.”

– explicou-nos o Mário no seu inglês com sotaque indonésio.


Portanto, perante tal cenário, compreensível a minha apreensão, não é mesmo?


No entanto, com a nossa chegada a Ubud, a pequena capital cultural e artística de Bali, toda essa cisma se desvaneceu.

Instalamo-nos no hotel Ubud Wana.



Dia 3 - Ubud - Tirta Empul - Vulcão Batur - Besakih - Alam Giri - Ubud


Eram por volta das 8h00 quando, após saciarmos a fome matutina no hotel, encontramo-nos com o Mário que, à porta do mesmo, nos aguardava, com o seu sorriso fácil e sarong colorido.

Com ele, encontrava-se o motorista que também nos viria a acompanhar nos dias posteriores.


Iniciamos a nossa aventura com uma excursão de carro pelo centro da ilha, percorrendo as estreitas estradas até à vila de Tampaksiring.

Vale mencionar que o tráfego em Bali é, regra geral, caótico. Dirige-se pela mão inglesa e as regras de segurança rodoviária, são excessivamente ignoradas: não há cedência de passagem a peões que se encontrem na passadeira; a maioria dos condutores conduz sem cinto de segurança e é frequente irem três pessoas numa scooter – veículo mais utilizado – e sem capacete (sendo o condutor, muitas vezes, uma criança!).


Contemplados os primeiros terraços de arroz verdejantes e palmeiras exuberantes, a nossa primeira paragem foi no templo Tirta Empul, um dos templos mais sagrados de Bali. Dedicado ao Deus Vishnu, este templo é composto por uma estrutura de águas para banho, conhecida pela sua nascente de águas sagradas onde os hindus balineses realizam os seus rituais de purificação.

Antemão, qualquer visitante, independente do sexo, deverá, em sinal de respeito, vestir um sarong, espécie de saiote envolto sobre a cintura que deverá cobrir as pernas.

É possível comprá-lo à entrada do templo, alugá-lo ou pedir emprestado (no nosso caso, o Mário fazia-se sempre acompanhar por vários que, gentilmente, nos cedia aquando as visitas sagradas).

Ainda nesta linha de pensamento, solicita-se às mulheres que prendam os cabelos e, se menstruadas, não deverão tão-pouco entrar.


Cumpridos os requisitos, entramos no recinto e deixamo-nos contagiar pela magia que por lá pairava.

Ali respira-se leveza.

Tranquilidade.

Plenitude.



A crença local consta que as águas que abastecem as fontes e a piscina, detêm propriedades curativas. Neste sentido, como parte da tradição balinesa, diariamente, milhares de pessoas, procuram incessantemente a sua purificação, banhando-se e, até mesmo, submergindo nas águas que, apesar do clima quente, chegam a ser gélidas.

Tal ritual, denominado de Melukat, tem como propósito a limpeza e purificação do corpo, mente e alma. Sempre num único sentido – da esquerda para a direita – cada pessoa deverá banhar o corpo e cabeça em cada fonte à exceção das duas últimas, que se encontram reservadas ao culto dos mortos.

É, sem dúvida, uma experiência ímpar.





De seguida, rumamos em direção a Kintamani, a região que abriga o vulcão Monte Batur, e por lá almoçamos.

O restaurante, previamente selecionado, para além da gastronomia exótica, oferece uma vista sublime sobre o lago em forma de meia luna, o Batur, que se encontra rodeado pelas paredes da cratera.





Posteriormente, prosseguimos para a encosta do Monte Agung, onde se localiza o maior e mais sagrado templo da ilha: Pura Besakih, conhecido como o Templo Mãe de Bali.

Composto por mais de 20 templos, paralelamente alinhados, este templo é tido como o expoente máximo da crença hindu.

Uma vez mais, o respeito evidenciado a partir da indumentária, é solicitado ao visitante que deverá então, antes da entrada, vestir o sarong (caso se encontre com as pernas a descoberto).

Aos não-hindus o acesso ao interior dos templos encontra-se restrito e estes deverão deslocar-se através das escadas situadas ao redor dos templos – e não pelas centrais, que dão acesso ao interior dos mesmos.








A nossa visita foi, infelizmente, abreviada pela intensa chuva que, sorrateiramente, se instalou.

Ainda assim, foi-nos possível sentir a essência emanada por este local místico.


Visita concluída, momento de regressamos ao hotel mas não sem antes realizarmos uma paragem em Alam Giri, onde pudemos apreciar as plantações de café e especiarias. Claro está que houve um momento para degustarmos o Lopi Luwak, o café tido como o mais caro do mundo – realizado com grão de café recolhido das fezes de um pequeno mamífero, a civeta.

Estes animais são alimentados a partir de frutos provenientes das plantas de café e, à posteriori, as suas fezes são recolhidas para a produção do mesmo.


Acredito que tal descrição deixe as pupilas gustativas, de um exímio apreciador de café, a saltitar mas ainda assim, eu não tive a ousadia de o provar.








Apesar da irrepreensível beleza das plantações, as inúmeras vespas que as sobrevoavam e teimavam em importunar-me, conseguiram-me expulsar-me de lá num ápice! A visita foi, portanto, breve.


Pouco passava das 19h00, hora local, quando chegamos ao hotel.



Dia 4 - Ubud - Taman Ayun - Jatiluwih - Lago Bratan - Uun Danu - Tanah Lot - Ubud


Este dia foi, inteiramente, passado na zona oeste da ilha. Chegados, primeiramente, à cidade de Mengwi, fomos visitar o Templo Real de Taman Ayun, contruído em 1634 com o propósito de servir a família real da disnastia Mengwi.






Seguindo viagem, fomos conhecer o maior campo de arroz da ilha, o Jatiluwih, declarado Património da Humanidade pela UNESCO.


Neste dia, o calor era a-r-r-e-b-a-t-a-d-o-r mas a vista panorâmica sobre os terraços, tornara tudo tão suportável.







Almoço concluído, prosseguimos rumo às margens do Lago Bratan, em Bedugul, para visita ao Templo de Ulun Danu.

Construído sobre pequenas ilhas nas águas calmas do lago, este templo balinês, que parece flutuar, é considerado o segundo mais importante da ilha.

Escusado será dizer que a beleza arquitetónica, a par da espiritualidade que por lá existe, é só esplêndido.

Ainda em Begugul, tivemos a oportunidade de conhecer o mercado local, famoso pela sua extensa oferta e variedade de frutas tropicais e vegetais.








No período da tarde, chegamos a Tanah Lot, o templo mais famoso de Bali, dedicado aos espíritos guardiães do mar. Majestosamente localizado numa pequena ilha em frente à costa oeste da ilha de Bali, este templo é, especialmente, cobiçado durante o entardecer, momento em que oferece aos seus visitantes um sublime pôr-do-sol.

Infelizmente, nós não tivemos a oportunidade de experienciar tamanho assombro.






Quando a maré se encontra alta, a rocha que abarca o Templo chega a ficar coberta na sua quase totalidade. Por outro lado, diante da descida da maré, o seu acesso – a pé por entre os rochedos – chega a ser possível. Porém, o interior do Templo encontra-se reservado apenas aos balineses.


Ao som das ondas oceânicas, que se faziam sentir a cada embate nas rochas, encetámos, com o Mário, uma conversa sobre os pequenos prazeres da vida enquanto degustávamos uma deliciosa água de coco.

Deleitados com todo o misticismo que Bali irradia, sentimo-nos em paz.

Serenos.

Tranquilos.




A caminho do hotel, paramos para conhecer Tegenungan Waterfall, uma cascata situada a 30 minutos de Ubud.




Dia 5 - Ubud / Tegalalang / Ubud / Bali


Neste último dia com o Mário como nosso guia turístico, e à semelhança dos dias pregressos, despertamos cedo e fomos conhecer a cidade que até então nos hospedara: Ubud, a pequena capital cultural e artística da ilha.

Iniciamos a visita ao Palácio Puri Saren Agung, situado no coração da cidade. Construído no séxulo XVI, o palácio continua a ser a casa do rei de Ubud e sua família que, gentilmente, abrem as portas do seu recinto externo aos turistas.




De seguida, percorremos o mercado de Ubud, onde os vendedores locais compram e vendem alimentos, artesanato e têxteis característicos da ilha.




Prosseguimos viagem em direção à floresta sagrada dos macacos, uma área preservada, por onde estes animais vivem livremente. Chegam, muitas vezes, a sair da floresta rumo às ruas da cidade.

São descarados, porém inofensivos, desde que ninguém ouse desafiá-los. Caso contrário, podem revelar-se animais agressivos e atacar.

É frequente saltarem, sem nenhuma permissão, para as costas dos visitantes, especialmente se sentirem o cheiro a comida. Caso isso aconteça, o conselho é o de não reagir, permanecer calma/o e se existir efetivamente comida, atirá-la para o chão, para que eles possam sair.

Parece fácil, não parece? Só que não.




Foi, de facto, uma experiência singular que, no entanto, não deixou de ser um tanto assustadora tendo em conta a imprevisibilidade tão característica dos primatas.


Relativamente ao almoço, este aconteceu num restaurante local onde podemos saboreá-lo sentados no chão.

Nada prático, porém, interessante.



Dias 6 - 7 - 8 - Sanur


Nos restantes 3 dias, ficamos instalados no Hotel Swiss Bel Watu Jimbar Sades, onde, diariamente, desfrutámos da majestosa piscina.

E até ao entardecer, diga-se.





Ademais, nestes últimos dias, reservámos momentos para a realização de passeios pedestres apesar de, a cada virar da esquina, encontrarmos locais de aluguer de bicicletas e motas a um preço razoável. Inicialmente, pensamos, de facto, em enveredar por uma dessas opções, mas tendo em conta a perigosidade do tráfego balinês, rapidamente descartamos a hipótese.


Igualmente a um preço agradável, encontrámos, amiúde, pelas ruas de Ubud, pequenos salões de massagem balinesa.

E bem, aquele momento - descontraturante - era um apogeu do meu dia!




Curiosidades:


Certa vez, durante um dos nossos passeios, deparamo-nos, em plena via pública, com a cerimónia de cremação Ngaben, que se realiza uma vez por ano. A pessoa falecida é, temporariamente, enterrada, até que os balineses selecionem o dia mais oportuno para a realização do ritual.

À posteriori, o corpo é então desenterrado e colocado numa urna em formato de touro. Segue em andor e é transportado, em procissão, pelos membros da comunidade.

Após a cremação, as cinzas são lançadas ao mar.



É. Bali respira misticismo.

Para além dos seus rituais e orações diárias, encontramos, frequentemente, por entre as ruas, carros e/ou estabelecimentos, oferendas aos deuses, denominadas de canang sari. Estas são constituídas por flores nativas e folhas de bananeira e, não raras as vezes, contêm doces, cigarros e até mesmo dinheiro.





Por fim, tivemos a oportunidade de assistir a um espetáculo de dança Barong, uma dança tradicional que retrata a distinção entre o bem e o mal. É, igualmente, uma experiência imperdível onde a teatralidade, espiritualidade e culturalidade se mesclam.








Chegados ao último dia, despedidas feitas, momento de partir. Pouco passava das 11h00 quando abandonámos o hotel rumo ao aeroporto.


À data deste artigo, passaram-se dois anos desde que nos despedimos do sorriso do Mário. O Mário, que com a sua proverbial pontualidade e indumentária humilde, deu-nos a conhecer a vibrante cultura, tradição, misticismo e espiritualidade que pairam em Ubud, coração da cultura balinesa. O Mário foi luz.

O Mário é luz.

E Bali é inspiração.







E aí, quem ficou com vontade de viajar até Bali?

 
 
 

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